Quanto tempo vai durar a aventura da existência?

Existe uma pergunta — “Quanto tempo vai durar a aventura da existência?” — que deve perpassar todo o filme Canil Para Cachorro Louco. Ela há de aparecer, ou não aparecer, como um easter egg em momentos cruciais da trajetória do nosso protagonista, o professor Genésio Campanelli, trajetória que dura apenas um dia (que começa rotineiro) e uma noite (que termina no abismo).


A principal inserção dessa pergunta surge numa das primeiras cenas, quando o professor dirige para o trabalho. Sutilmente, pelo canto direito do quadro, vemos, ou não vemos, um outodoor preto com letras brancas e uma reprodução da obra de arte Vestal, pintada em 1874 pelo suíço Arnold Böcklin. (Dois dos meus livros possuem capas com pinturas de Böcklin).


Cada um que interprete a obra como quiser, mas, para mim, o olhar da figura feminina, sedutor em sua melancolia, em sua tristeza diante do inevitável, é o olhar de quem espera nossa chegada à câmara ardente.


Quanto tempo vai durar a aventura da existência?


Não sei, ninguém sabe, mas é por isso que o professor Genésio é tomado por uma decisão que só pode ser enunciada na voz passiva: é impelido a beber do cálice que jamais bebeu, o da Vida (outra metáfora do filme), mas num ambiente patético e artificial. O filme trata das consequências desse impulso tardio.


Questões práticas: como o outdoor não vai ficar na Rua Theodoro Holtrup (Blumenau, SC) por muito tempo, fizemos ontem a primeira diária de Canil Para Cachorro Louco, composta por uma cena simples, mas fundamental para a narrativa: o professor dirigindo para o trabalho.


Agradecimentos a Roberto Morauer (ator), Fabíola Pereira (produtora), Paulo Zimmermann (fotografia) e Fernanda Tenfen, que, além de assessora de imprensa, acabou atuando como assistente de iluminação. Primeiro passo dado num pulinho de improviso maroto. Agora só falta filmar o resto das cenas, ou seja, a parte mais fácil do trabalho.

No momento, você está visualizando Quanto tempo vai durar a aventura da existência?
Eu, Paulo, Fabi e Roberto ao concluir a primeira cena do filme

Este post tem 0 comentários

  1. Ingelore Liesenberg

    Com certeza será um sucesso!!!

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